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Um livro para entender o racismo no esporte brasileiro

Andrei Kampff

2019-04-20T19:11:00

19/04/2019 11h00

Fim de semana chegando, e um livro é sempre um bom companheiro para esses dias.

O Alexandre Barreto buscou nessas andanças pelas livrarias paulistanas um que tem como tema algo que tem sido muito debatido ultimamente no esporte: o racismo.

São muitos os crimes de injúria racial pelo Brasil e pelo mundo. A Europa vive uma onda perturbadora, que tem provocado manifestações públicas de personalidades esportivas. A imensa maioria se posicionando firmemente contra esses atos.

Até quando isso vai se repetir pelos estádios e arenas mundo afora?

Racismo é crime no Brasil.

A Justiça esportiva também tem punido, com base no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

Para quem se interessa pelo tema e quer buscar mais conteúdo, a dica do Esporte das Letras traz um livro em que o autor aliou conhecimento jurídico e muita pesquisa para escrever.


 

O assunto está na pauta do dia, o momento pede, e o livro veio a calhar. No Lei em Campo já tratamos dele na atualidade (A última sobre racismo no futebol e Mais um ato lamentável), com nosso colunista Luiz Costa, já abordamos os aspectos legais no esporte, com o Nilo Patussi, e a Dani Maiolini, com aqueles textos gostosos dela, também já falou dele em Os senhores absolutos do esporte.

E não é que descobrimos um lançamento recente sobre racismo no esporte? "O racismo no futebol brasileiro", de Igor Serrano, foi lançado no final de 2018 e já é obra indispensável.

Não encontrei o livro nas grandes livrarias, imagino que a compra seja somente no site da editora Multifoco. Mas vale a pena, porque esse é daqueles temas que a gente tem de repetir, e falar, e tornar a repetir… E nada melhor que estar sempre bem embasado pra conseguir tratar desse assunto com a seriedade que ele exige.

Deixo a apresentação encontrada no site da Multifoco:

"Inserido no Brasil pelos filhos de sua aristocracia, o futebol, produto importado, objetivava, inicialmente, a propagação de valores de distinção e exaltação de classe pelos praticantes da elite do final do século XIX e início do XX, que não se preocupava com o próprio sustento.

Em pouco tempo, as camadas populares também aderiram à prática dos pontapés na bola, sendo operários negros, brancos e mestiços discriminados. A justificativa de manutenção do amadorismo do esporte tinha como pano de fundo a discriminação racial e social. Destaca-se nesse período o enfrentamento promovido pelas equipes cariocas Bangu A.C. e C.R. Vasco da Gama.

O tempo passou e, mesmo com atletas negros incorporados à quase todos os times, o racismo permaneceu. Ele foi utilizado como justificativa para a derrota brasileira na Copa de 50.

Hoje casos de discriminação racial durante partidas de futebol se proliferam enquanto poucos dirigentes, técnicos e presidentes dos clubes brasileiros são negros."

O racismo no futebol brasileiro
Igor Serrano
Editora Multifoco, Selo Drible de Letra
272 páginas

 

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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