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A regra joga a favor do VAR, mas os árbitros não ajudam

Andrei Kampff

2021-04-20T19:18:42

21/04/2019 18h42

Tem rodada e sempre tem gente apontando o dedo acusando o VAR. E, de novo, neste fim de semana ele não tem nada a ver com as bobagens dos outros; no caso, dos árbitros.

E isso é regra. Não é opinião.

Ao lance. No clássico do Maracanã, bandeirinha (auxiliar) não faz o próprio trabalho. Ele não marca impedimento e deixa lance seguir. Na sequência da jogada, sai uma falta, e dela o gol do Flamengo. Sério, o que o VAR tem a ver com isso? Mais uma vez o que se viu foi a arbitragem esquecendo seu papel de protagonista e entregando a responsabilidade do jogo pro pessoal da cabine.

A regra do jogo é absoluta. No artigo 5, ela diz que o árbitro deve "tomar suas decisões com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o 'espírito do jogo', segundo sua opinião". Ou seja, árbitro tem poder discricionário para decidir conforme suas convicções.

O problema TODO está aí.

Árbitros estão abrindo mão das convicções e usando VAR como escudo, numa decisão compartilhada. Não foi só na decisão do Rio, é algo que está sendo visto ao longo da pequena e polêmica temporada. Árbitro marca lance e corre pra conferir o que o pessoal da cabine viu. E, mesmo sendo lance interpretativo, muitas vezes muda de decisão.

Já falamos por aqui sobre a falta de convicção dos árbitros e de transparência nas decisões coletivas, inclusive trazendo a palavra do especialista Guilherme Ceretta. Por que não liberar a conversa entre a arbitragem?

Vamos voltar à regra do jogo.

"As decisões originais tomadas pelos árbitros não mudarão, a menos que a revisão de vídeo claramente mostre que a decisão foi 'um erro claro e óbvio"'.

Ou seja, o árbitro pode acreditar nele! A regra permite. Acredite em você, amigo árbitro.

O árbitro poderá usar o Árbitro Assistente de Vídeo em lances que NÃO são interpretativos e não precisam ser revistos muitas vezes: falta, pênalti, erro de identificação de jogador, são exemplos de momentos em que o árbitro não precisa nem sequer revisar o que foi apontado e confirmar o que foi dito pelo VAR.

O VAR veio pra ficar. Ele é um instrumento a serviço da legalidade no jogo. Ele vai acabar com erros absurdos que manchavam conquistas. A tecnologia nos ajuda em muita coisa do nosso dia a dia; não querer que ela participe do nosso jogo é um desserviço.

O VAR só quer ajudar. A todos do futebol, principalmente a você, árbitro. Não atrapalhe o trabalho dele, nem o seu. Acredite no seu trabalho; e quando a regra permitir, o VAR estará ali pra ajudar.

 

 

 

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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