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Foi a NBA que permitiu time canadense no basquete americano. Intruso venceu

Andrei Kampff

2016-06-20T19:09:00

16/06/2019 09h00

Diferentemente do Brasil, o esporte americano funciona sob o comando de ligas. A liga de hóquei, NHL, a de futebol, a MLS, a de futebol americano, a NFL, e por aí vai.

Assim, em função do principio da autonomia esportiva, são essas ligas que determinam as regras dos campeonatos e quem deles pode participar.

Se ela assim definir, uma equipe de outro país pode participar dos campeonatos. E por uma questão mercadológica, ter equipes canadenses é estratégico. Na NBA, o time do país vizinho é o Toronto Raptors. Que fez história nessa semana: foi o primeiro fora dos Estados Unidos a conquistar o título do principal campeonato de basquete do mundo, a NBA.

Só pelo nível técnico da competição, levantar a taça já seria um feito gigante. Mas ele se torna ainda maior em função de o time ser um intruso.

Outro país. Isso gera inúmeras dificuldades, inclusive para seleção de elenco. É o que conta Gustavo Lopes, advogado especializado em direito esportivo e colunista do Lei em Campo.

 


 

O grande feito do Toronto Raptors

A presença de equipes canadenses nas ligas norte-americanas não são uma novidade. A NBA, além do Toronto Raptors, já teve o Vancouver Grizzlies, que se mudou para Menphis em 2001. Toronto, aliás, esteve na temporada inaugural da NBA (1946-1947) com os Huskies.

A MLS, por seu turno, tem três equipes do Canadá, o Montreal Impact, o Toronto FC e o Vancouver Whitecaps. A MLB tem o Toronto Blue Jays. Finalmente, a NHL conta com sete equipes do Canadá: Montreal Canadiens, Ottawa Senators, Toronto Maple Leafs, Winnipeg Jets, Calgary Flames, Edmonton Oilers e Vancouver Canucks.

Somente a NFL não conta com equipes canadenses, apesar de o Buffalo Bills, quase na fronteira, disputar ao menos uma partida por ano em Toronto e ter muitos torcedores por lá. Isso se dá pela existência do futebol canadense e da sua liga, a CFL, que, com receio de concorrência, tem envidado esforços para que uma franquia da NFL não se instale em terras canadenses.

À exceção da NHL, em que os canadenses têm muito sucesso, eis que o hóquei lá é esporte nacional, as equipes de Canadá não colecionam muitos títulos nas ligas norte-americanas.

As dificuldades enfrentadas pelas equipes canadenses são muitas. A começar pela diferença da moeda. No Canadá há o dólar canadense, que vale menos que o dólar americano. As equipes do Canadá têm a maioria das receitas em dólar canadense, já que vendem ingressos e negociam patrocínio e venda de TV na sua moeda local. No entanto, ao contratar atletas e demais profissionais, as equipes do Canadá disputam salário e benefícios em dólares americanos com as equipes dos EUA.

Além disso, as equipes canadenses são obrigadas a atravessar a fronteira quase semanalmente e, portanto, passar pelos procedimentos de aduana dos EUA.

A mudança dos jogadores contratados também é um problema, eis que cruzar a fronteira com móveis e objetos sociais não é tarefa das mais simples. Aliás, a família dos atletas também deve buscar visto de residente para viver no Canadá.

O Toronto Raptors, portanto, para vencer a NBA superou não apenas seus adversários dentro de quadra, mas também todas as adversidades que as equipes canadenses enfrentam nas ligas norte-americanas.

Possivelmente, diante de todo o exposto, equipes canadenses vencerem as ligas não se tornará uma constante, o que faz do título do Toronto um verdadeiro feito.

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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