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Messi punido pela Conmebol: saiba por que argentino pode comemorar

Andrei Kampff

04/08/2019 05h00

O Messi foi punido. A Conmebol mostrou autoridade. Os dois podem comemorar.

A pena era prevista, e a gente já tinha destacado aqui que Messi dificilmente escaparia. Ele se manifestou de maneira agressiva, esquecendo o espírito esportivo. Conduta tipificada pelo regulamento da Conmebol.

O detalhe: a decisão do Tribunal determinou punição por tempo (3 meses), e não por jogos, como normalmente é feito. Essa pena acabou sendo benéfica para a seleção argentina.

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Messi pode recorrer, mas dificilmente vai tomar essa decisão, porque ele acabou saindo no lucro.

Entenda no texto de Ivana Negrão.

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Messi é suspenso por tempo, e não por partidas, e saiu no lucro, apesar da multa salgada

"Acabou saindo barato para Messi. A pena não foi tão elevada, e, do ponto de vista esportivo, é uma punição que chama atenção. Surpreende o fato de ser por meses, e não por partidas", avalia Jean Nicolau, advogado especialista em direito esportivo.

A Conmebol anunciou, no fim da sexta-feira (2), retaliação a Lionel Messi por comportamento indevido durante a última edição da Copa América. O capitão da Argentina no torneio está suspenso por 3 meses a partir do comunicado e proibido de jogar partidas oficiais e amistosas por seu país. No período, teremos apenas datas FIFA, e ele poderá voltar à seleção no amistoso com o Brasil, marcado para novembro, na Arábia Saudita.

Jean Nicolau reforça que "a pena aplicada vem a calhar nesse momento do ano". Se fosse por partidas, como normalmente é feito, a punição teria que ser cumprida em jogos oficiais, como Eliminatórias da Copa do Mundo e Copa América. No entanto, não existe uma pena específica para cada tipo de conduta.

Messi foi enquadrado no artigo 7 do Regulamento Disciplinar da Conmebol. Ele teria se portado de maneira agressiva, violado a pauta mínima do que seria considerado comportamento aceitável, ao questionar e descumprir decisões – e utilizou o evento para manifestações de caráter não esportivo.

A punição é consequência das declarações do camisa 10 da seleção argentina durante a Copa América no Brasil. A primeira polêmica surgiu após a derrota para a seleção brasileira, quando a arbitragem não teria marcado dois pênaltis para os hermanos nem consultado o VAR. O segundo e mais grave episódio foi na disputa pelo 3º lugar, contra o Chile. Messi foi expulso ainda no primeiro tempo, após confusão com Gary Medel, e não compareceu à cerimônia de premiação da medalha de bronze.

"Não fui à premiação porque nós não temos de ser parte desta corrupção. Nos faltaram com respeito durante toda a Copa. Não nos deixaram chegar à final", declarou o craque à época.

Jean Nicolau reforça que a pena máxima pecuniária nesses casos é de US$ 50 mil (R$ 194 mil), multa com a qual Messi terá que arcar. No caso de suspensão, o prazo máximo seria de 24 meses, ou 24 partidas. "Mas aqui não caberia a pena máxima", lembra Jean.

Messi pode recorrer da decisão em até sete dias úteis, mediante pagamento de US$ 3 mil.

De qualquer forma, ele está fora da primeira partida das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, que começam em março do ano que vem, para cumprir suspensão automática em razão da expulsão contra o Chile na Copa América.

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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