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VAR na Europa tem muito a nos ensinar. A começar, pela transparência

Andrei Kampff

07/08/2019 15h00

Não culpe o VAR, culpe os árbitros que ainda não aprenderam a lidar por aqui com esse recurso tecnológico que veio para ajudá-los. Mas também não exagere ao abrir a boca, afinal, é uma ferramenta nova. E o que é novidade exige adaptação.

E é bom aprender com a Europa.

Na Alemanha, será a terceira temporada, agora com ele presente até na segunda divisão. Já na Inglaterra, ele entra em campo agora, mas já começa na nossa frente. Isso mesmo.

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Lá as conversas entre a arbitragem serão testemunhadas por quem estiver acompanhando o jogo. A tão pedida transparência. A caixa-preta da arbitragem precisa ser aposentada.

É o que conta Renata Ruel, comentarista dos canais ESPN e colunista do Lei em Campo.

 


 

VAR e os grandes torneios europeus

 

Na temporada 2018, os clubes brasileiros que disputariam a série A votaram contra o uso do VAR – muitos alegaram que o custo era altíssimo. Após polêmicas de arbitragem naquele ano, votaram a favor da implantação da tecnologia para o torneio em 2019.

A temporada 2019/20 está se iniciando na Europa com a espera de grandes jogos na Premier League, Bundesliga, LaLiga, Campeonato Italiano (Lega Serie A), entre outros, e não é para menos, pois grandes nomes do futebol estão presentes nesses torneios, não somente jogadores, mas também treinadores que geram enormes expectativas.

Se o VAR no Brasil está em fase de adaptação, na Bundesliga está sendo usado desde 2017, e seu êxito é tão grande que nesta temporada 2019/20 será implantado também na Segunda Divisão. Ou seja, o VAR estará presente na Alemanha na Primeira e Segunda Divisões devido ao sucesso proporcionado e alcançado nos resultados das partidas.

Outro destaque em relação ao Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) é que a Premier League se rendeu ao seu uso. Será a primeira vez que o Campeonato Inglês aplicará essa tecnologia. Porém, é relevante o fato de haver adaptações específicas no protocolo – que serão respeitadas somente na Inglaterra até o momento. Por exemplo, os torcedores que estiverem no estádio terão acesso ao áudio da comunicação do VAR com o árbitro da partida quando um lance estiver sendo checado, algo que já acontece no rugby e mostra transparência nas decisões. Essa é somente uma das grandes especificidades do VAR inglês, que pode ser um grande exemplo para todos os outros que são adeptos dessa tecnologia.

É natural, algo que ainda está nos primeiros anos de vida, dando seus primeiros passos, ter adequações conforme as necessidades apareçam. O importante é aprimorar e não desistir de uma ferramenta que tem tudo para legitimar cada vez mais os resultados dos jogos de futebol.

 

 

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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