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Data Fifa tira atletas dos clubes. Especialistas dizem o que pode mudar

Andrei Kampff

10/10/2019 13h00

Nesta quinta-feira, o Brasil fez o primeiro dos dois amistosos programados para esta Data FIFA, contra Senegal, empate em 1 x 1. No domingo, enfrenta a Nigéria. E o Campeonato Brasileiro segue, independentemente dos compromissos da Seleção Brasileira. Assim como as discussões sobre o calendário do futebol nacional.

"Tite é mais refém do que protagonista nessa questão, que é complicada por ter muitos interesses em jogo. Simplificar a discussão é prejudicial", afirma Américo Espallargas, advogado especialista em direito esportivo.

O técnico da Seleção Brasileira convocou Gabriel e Rodrigo Caio, do Flamengo, Matheus Henrique e Everton, do Grêmio, e Weverton, do Palmeiras, e demonstrou uma insatisfação antiga com o fato de desfalcar as equipes. "Quando a seleção joga não tinha que ter jogo de time. Continuo convicto. Isso para mim não vai mudar ao longo do tempo. Eu faço as convocações e faço com bastante pesar, porque eu não queria. Continuo com a mesma opinião", disse em entrevista coletiva.

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Tite ainda declarou ter ciência de que Manoel Flores, diretor de competições da CBF, está tentando ajustar as datas. Nesta semana, a entidade divulgou o calendário do ano que vem. Algumas mudanças foram feitas no sentido de minimizar os conflitos, como Datas FIFA que não terão jogos do Campeonato Brasileiro ou Copa do Brasil agendados. Apesar de haver partidas marcadas para o dia seguinte. "É menos prejudicial, porque não é um desfalque automático. Dependendo do lugar, é possível voltar a tempo de atuar pelos clubes", completa Américo Espallargas. Os clubes deverão perder atletas para a seleção em mais de 10 jogos em 2020.

De qualquer forma, se o calendário nacional gera tanto conflito e no resto do mundo não é bem assim, "estamos gerindo mal o nosso calendário", sentencia Nilo Patussi, advogado especialista em gestão esportiva e compliance.

"O problema é que no Brasil temos campeonatos que não existem em nenhum outro lugar do mundo, os estaduais. A CBF propôs 18 datas para a realização dessas competições. Eu tentaria reduzir para 10 datas de algum jeito, com mais mata-mata, clubes grandes entrando num hexagonal", avalia Américo Espallargas.

São sugestões para abrir o calendário e encaixar as Datas FIFA, já que o problema está se agravando com as competições de base e a importância cada vez maior dos jovens atletas nas equipes profissionais, como Antony, do São Paulo, Pedrinho, do Corinthians, Reinier, do Flamengo, e Talles Magno, do Vasco, cedidos para as Seleções Sub-17 e Sub-20.

"Vale a pena levar em consideração que o futebol brasileiro não é fácil de administrar. O que seria do futebol de muitos estados sem que houvesse um campeonato local para fomentar a modalidade? Só as séries B, C e D não seriam suficientes. Mas, sem dúvida, sob o aspecto de gestão, as prioridades precisariam ser verificadas", acredita Nilo Patussi.

A CBF tem força para começar o Brasileirão em março, mas não pode ignorar os estaduais. E nem seria necessário. "Com organização, dá pra valorizar o futebol. É uma questão de gestão e conversa", acredita Américo Espallargas.

A discussão sobre o futebol no Brasil está "na Idade da Pedra no que diz respeito a planejamento de produto", avalia Bruno Maia, especialista em negócios e novas tecnologias do esporte. "Enquanto a gente discute surrealmente o item mais básico, que é a data dos jogos, perdemos a oportunidade de criar novos ativos de marca, que permitiriam aumentar o alcance e as receitas desse produto chamado 'futebol brasileiro'".

Muitos falam da adaptação ao calendário europeu, como fez a Argentina. No entanto, "cada país tem uma realidade diferente. A gente tem uma situação de verão, de férias escolares. Os profissionais têm família. No meu entender, essa não é necessariamente a solução", pondera Américo.

Organização, diálogo e gestão de negócio. "Enquanto não pautarmos a discussão pela experiência que o torcedor já poderia ter – e está tendo em outros produtos, sejam as ligas de fora, outros esportes ou até esportes eletrônicos, vamos seguir falando de temas velhos, insossos e que sozinhos não são mais capazes de mudar nada. É cada vez mais urgente atualizar as discussões sobre o futebol brasileiro", finaliza Bruno Maia.

Por Ivana Negrão

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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