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Flamengo é modelo de clube, não só de time

Andrei Kampff

03/12/2019 19h00

O mundo do esporte pede também por gestão profissional.

Cada vez mais imprensa, torcedores, atletas e comunidade esportiva cobram  que as entidades que comandam o esporte tenham mecanismos que protejam a instituição de vícios de uma gestão amadora ou desonesta.

Planos de integridade estão no topo das principais organizações empresariais do mundo. E no esporte elas também começam a aparecer e mostrar o tamanho da importância que têm.

São vários os exemplos de clubes que insiste em contrariar o óbvio, e continuam tratando o clube como um grande negócio de compadres. Repito, o esporte não tem mais espaço para. amadores, que não entendeu isso ficará para trás. Aliás, já está ficando.

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Já escrevi que não acho necessário que um clube se transforme em empresa para ter uma administração profissional. Mas é indispensável que ele seja tratado como uma empresa.

Ter profissionais preparados para cada área de atividade. E, também trabalhar com uma dobradinha poderosa: transparência e ética. Qualquer gestor que esteja comprometido com uma administração séria no esporte, preocupada com o bem do associado, torcedor e da própria instituição, não abre mão dessa dupla.

Mas para isso, também é preciso tomar decisões difíceis. E ajeitar a casa primeiro.

Veja o caso do Flamengo, contado pelo advogado especializado em compliance e gestão esportiva e colunista do Lei em Campo Nilo Patussi.


O Flamengo está fazendo história, mas não é só por causa do Gabigol, Bruno Henrique ou Jorge Jesus. O Clube de Regatas do Flamengo é o principal responsável pelo sucesso Flamengo em 2019.

Muitos já estão cansados de ouvir falar sobre Flamengo, títulos, quebra de recordes, etc. Mas como não enaltecer o belíssimo trabalho de administração que o clube rubro-negro vem fazendo? Este é, sim, um ano que todos os flamenguistas tem que se orgulhar e comemorar, e os torcedores dos outros times, dirigentes e atletas devem se espelhar.

Ainda com chances de título no mundial desse ano, o clube carioca já tem na sua sala de troféus, apenas com conquistas desse ano, a taça do Campeonato Carioca, Libertadores da América, Brasileirão, Brasileirão sub-20, Brasileirão sub-17 além de ser o atual campeão do NBB (campeonato brasileiro de basquete)E. Vale destacar, que conquistou títulos importantes em outras várias modalidades, como ginastica artística, por exemplo. Mas também conquistou campeonatos nacionais de esportes eletrônicos, e o estadual de futebol feminino.

Os resultados do Flamengo vêm quebrando tabus e mostrando que não precisa necessariamente ser empresa para ter uma gestão eficiente; ou que o futebol não precisa estar separado das demais modalidades esportivas, ou do clube social para dar certo. Uma gestão profissional fará com que não só o futebol dê certo, mas todos os esportes que o clube tenha sejam competitivos.

Já tive a oportunidade de conversar com o ex-presidente e o ex-diretor-jurídico do clube rubro-negro, e o discurso foi o mesmo: no momento da virada da chave todos entendiam como vital uma mudança no perfil administrativo.

E não só a diretoria abraçou a causa, mas também boa parte da torcida entendeu que seria necessário, por algum tempo, não investir em grandes nomes, diminuir o investimento no futebol. Com o clube em situação financeira difícil, era necessário implementar uma política de austeridade. Só esse caminho salvaria o o clube naquele momento, e o deixaria mais forte no futuro.

Foi o que aconteceu. Trabalho feito em três etapas.

O planejamento estratégico do Flamengo previa que, de 2013 até fim 2014 a administração do clube focaria em planos que recuperassem a sua credibilidade, a sua reputação, com foco em retomar a imagem positiva junto aos seus credores, sócios, torcedores e comunidade do futebol.

O passo seguinte seria que, até o fim de 2017, o clube do Flamengo se tornasse mais competitivo e capaz de se igualar aos demais principais clubes multi-esportivos brasileiros.

Por fim, a terceira etapa, até o fim de 2020, o clube planejou aprimorar ainda mais a sua gestão e, subindo o sarrafo, como benchmarking, dessa vez, os principais clubes internacionais.

O clube que em 2013 tinha uma dívida muito próxima dos 800 milhões de reais poderá, seis anos depois pode ultrapassar a barreira de 1 bilhão de reais em receita. Sucesso dentro e fora de campo só com gestão profissional.

O Flamengo está sim em outro patamar e é melhor os demais clubes do Brasil aprender com o bom projeto rubro-negro e mudar as suas formas de gerir, senão ficarão cada vez mais atrás do estruturado clube carioca.

Agora, o clube, mais saudável, veio com tudo para buscar mais títulos e recordes, e não será só no futebol.

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

Lei em Campo, por Andrei Kampff