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Falta de dinheiro nos clubes brasileiros trava negociações por contratações

Andrei Kampff

07/01/2020 04h00

A segunda-feira (06), foi reservada por alguns dos maiores clubes do Brasil para o início do trabalho visando a temporada 2020. Era de se esperar que, puxados pelo desempenho do Flamengo, grandes clubes investissem na contratação de novos jogadores. Apesar de a janela só abrir em 10 de janeiro, com fechamento em 2 de fevereiro, já é possível fechar contratações. Mas o que o tem sido visto até aqui é uma retração no mercado. Um dos clubes mais ativos até aqui é o Red Bull Bragantino. Com um planejamento que parece ter sido bastante estudado, o time de Bragança Paulista tem apostado alto em jogadores jovens que se destacaram e que podem gerar receita ao serem vendidos.

"Quem tem dinheiro e não precisa vender atletas está se movimentando. Os demais tem um longo trabalho de casa a ser feito. Precisam primeiro vender para colocar em ordem os buracos gerados em 2019. Depois precisam vender para evitar novos buracos em 2020. Só então podem pensar em contratar. Mas junto com isso precisam reduzir os custos do futebol, abrindo mão de atletas do elenco, que muitas vezes tem contratos longos e caros. Veja que é uma equação complexa, pois o clube vende o atleta jovem e de baixo custo, e isso aumenta o caixa mas não diminui a folha de pagamento. Daí outros clubes não querem os atletas colocados em disponibilidade porque são caros e todos os clubes precisam reduzir custos com salário. Isso trava o mercado", analisa ao Lei em Campo o economista César Grafietti.

Atual campeão brasileiro e da Libertadores e com as finanças em dia, o Flamengo fez contratações pontuais e trouxe o zagueiro Gustavo Henrique, o meia Pedro Rocha e o atacante Thiago. Antes vistos como a locomotiva do país, os times de São Paulo estão tímidos no mercado. Um ano após fazer a maior contratação de sua história, quando Carlos Eduardo foi trazido da Europa para ser titular do ataque do Palmeiras, coisa que não ocorreu. O São Paulo confirmou a permanência do goleiro Tiago Volpi, do lateral direito Igor Vinícius  e do atacante Vitor Bueno.

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A exceção fica por conta do Corinthians. Mesmo com dívidas, o time foi às compras e trouxe Luan, Cantillo e ainda tenta Sidcley para fechar o elenco.

"O futebol brasileiro tem que parar de vender jogador barato. Vender um ativo com potencial de valorização e trocar isso por despesa corrente é um suicídio, né. Tudo bem tem a questão técnica e tudo mais tem que ser considerado", explicou o consultor  Fernando Ferreira.

Para destravar esse carrossel, é preciso que os clubes tenham criatividade na hora de contratar.

"Usar sua própria categoria de base e buscar novas fontes de receita. Um projeto de marketing bem feito. Flamengo, em 2002, eliminou o Atlético Paranaense, em 2020 e esses clubes continuam podendo investir porque tem dinheiro em caixa porque receberam premiação", escreveu o consultor Amir Somoggi.

E essa retração acontece justamente quando os clubes brasileiros conseguem a maior injeção de recursos financeiros de sua história, gerando um contraponto com o volume de contratações feitas pelo Corinthians até aqui.

"Só esse ano a gente espera um crescimento de oito por cento da receita dos clubes. Oito por cento, uma taxa de crescimento ou chinesa", pontuou Fernando Ferreira.

Para César Grafietti, é preciso vender jogadores para colocar as contas em dia. "A saída de emergência é ser ativo na oferta de atletas a clubes do exterior. Porque não adianta esperar propostos por atletas com mais de 24 anos e caros, pois elas não virão. No mercado interno há pouca demanda, e quando há é por empréstimo com parte do salário por quem cede o atleta. Uma alternativa seriam as trocas, que esportivamente podem ser boas, mas financeiramente não devem gerar o impacto esperado, porque são poucos os clubes com capacidade de aumentar gastos."

"A saída de emergência é ser ativo na oferta de atletas a clubes do exterior. Porque não adianta esperar propostos por atletas com mais de 24 anos e caros, pois elas não virão. No mercado interno há pouca demanda, e quando há é por empréstimo com parte do salário por quem cede o atleta. Uma alternativa seriam trocas, que esportivamente podem ser boas, mas financeiramente não devem gerar o impacto esperado, porque são poucos os clubes com capacidade de aumentar gastos", especulou Grafietti.

Por Thiago Braga

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Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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