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Chuva paralisa jogos da Copinha. Árbitro usa regra ou regulamento?

Andrei Kampff

15/01/2020 04h00

O futebol não pode viver sob o "exercício do achômetro". Por isso a International Board cria as regras que são adotadas pela Fifa e, em função da cadeia associativa do movimento esportivo, também são replicadas por todas as confederações e federações ligadas a ela.

Ou seja, a REGRA do jogo é uma só em todas as competições organizadas por entidades que pertencem à pirâmide encabeçada pela entidade-mor do futebol mundial.

Mas isso não quer dizer que os procedimentos sejam os mesmo. Isso porque as entidades que organizam campeonatos elaboram também regulamentos próprios, que, claro, não irão contrariar as regras do jogo.

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Entenda melhor com a especialista Renata Ruel, comentarista dos canais ESPN e colunista do Lei em Campo.

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Muita chuva e jogos da Copinha paralisados. Regulamento ou regra do jogo?

A Copinha está acontecendo e, como esperado, a chuva ou as tempestades têm feito parte do espetáculo.

No último final de semana foi possível observar em duas partidas situações parecidas e distintas ao mesmo tempo.

No jogo Sertãozinho x Palmeiras, em Araraquara, a chuva começou forte no segundo tempo, o Palmeiras vencia por 3 x 0, quando aos 40 minutos, em função de raios e trovões, o árbitro resolveu paralisar a partida. Após a diminuição da chuva, a arbitragem e as equipes retornaram ao campo e jogaram os minutos que restavam.

Já em Itapira, Vasco e Náutico se enfrentavam, a equipe carioca fez 1 x 0 logo no começo do jogo e a chuva tomou conta da partida em seguida. O árbitro terminou o primeiro tempo, quando era mais fácil praticar polo aquático do que futebol, e ao retornar para a segunda etapa observou que a chuva seguia forte e o gramado sem condições, após aguardar o tempo determinado decidiu suspender a partida. O segundo tempo foi jogado na segunda-feira às 14h.

Os campeonatos das federações, CBF, Conmebol e FIFA são regidos pela Regra do Jogo da FIFA, estudadas e aprovadas pela International Board, ou seja, a regra é uma só para todos. Porém, cada instituição conta com seu regulamento próprio, onde a maioria tem o regulamento geral das competições e o específico de cada uma.

A Federação Paulista de futebol tem um regulamento geral com alguns itens iguais e outros diferentes da CBF. Por exemplo, se o jogo for paralisado por questão do gramado como ocorreu nestes dois jogos, tanto pelo regulamento da CBF quanto pelo da FPF o árbitro deverá esperar no mínimo 30 minutos para decidir se encerra ou suspende a partida antecipadamente. Se o árbitro entender que o tempo mínimo foi cumprido e mesmo assim não há condições de voltar a jogar, ele irá suspender a partida se não foram jogados no mínimo 30 minutos do segundo tempo e a encerra se o tempo foi além disso.

Ou seja, o árbitro do jogo entre Sertãozinho e Palmeiras, mesmo faltando apenas 5 minutos para o término do jogo, pelo regulamento fez o correto em esperar o tempo mínimo previsto e depois tomar a decisão de jogar o restante, ele não poderia encerrar a partida aos 40 minutos do segundo tempo sem esperar o tempo regulamentar. Assim como o árbitro do jogo do Vasco e Náutico em esperar o mínimo e suspender a partida.

Porém, como dito anteriormente, em alguns pontos os regulamentos podem diferir. Por exemplo, a partida está marcada para às 15h00, uma das equipes não se apresenta em campo até este horário, pelo regulamento da FPF o árbitro deve aguardar 20 minutos e caso a equipe não compareça dar W.O., mas pela CBF na mesma situação o árbitro deve aguardar até 30 minutos.

Assim como é fundamental conhecer as regras do futebol e extremamente relevante conhecer o regulamento geral e específico da competição que está sendo disputada.

A seguir, seguem partes do regulamento geral da FPF e da CBF para conhecimento:

"Regulamento Geral Federação Paulista de Futebol:

Do Adiamento, Cancelamento, Suspensão e Encerramento Antecipado de Partida

Art. 14 – Constituem motivos para uma partida não se iniciar ou, após iniciada, ser declarada suspensa ou encerrada antecipadamente pelo árbitro:

  1. Falta de garantia ou segurança para a partida;
  2. Conflitos graves;

III. Mau estado do gramado;

  1. Falta de iluminação adequada;
  2. Falta de ambulância com respectivo médico e equipamento necessário para atendimento de emergência;
  3. Motivo extraordinário, não provocado pelos Clubes, seus dirigentes e torcedores, que represente uma situação incompatível com a realização ou continuidade da partida.
  • 1º – Uma partida não iniciada poderá ser adiada ou decidida pela JD.
  1. a) Se adiada, será disputada integralmente em horário estabelecido neste RGC ou pelo DCO.
  2. b) Se decidida pela JD, poderá ser realizada ou resolvida por W.O.
  • 2º – Uma partida Paralisada pelo árbitro após seu início poderá:
  1. a) Ter seguimento, se cessada a causa da paralisação;
  2. b) Ser Suspensa;
  3. c) Ser Encerrada Antecipadamente.
  • 3º – O árbitro deverá aguardar por, no mínimo, 30 (trinta) minutos a solução dos problemas que deram origem à Paralisação da Partida, e se tal não acontecer determinará a sua Suspensão ou

Encerramento Antecipado, conforme previsto no § 4º e § 5º deste artigo.

  • 4º – Caso a partida seja paralisada após os 30 (trinta) minutos do segundo tempo de jogo (ou dois terços do tempo total para partidas com duração inferior a 90 (noventa) minutos) e não possa prosseguir, o árbitro determinará seu Encerramento Antecipado, mantendo-se o resultado do momento, caso não haja infração a ser analisada pela JD.
  • 5º – Caso a paralisação ocorra antes dos 30 (trinta) minutos do segundo tempo de jogo (ou dois terços do tempo total para partidas com duração inferior a 90 (noventa) minutos) e não possa prosseguir no mesmo dia, o árbitro determinará a Suspensão da partida; exceto nos casos de ausência de número mínimo de atletas para o seu prosseguimento, ocasião em que será aplicado o W.O., ou recusa de sua continuidade por uma das equipes, hipótese em que a partida será decidida pela JD.

____________________________

  • 3º – Se o atraso for superior a 20 (vinte) minutos do horário marcado para o início ou reinício da partida, a ausência de qualquer das equipes acarretará a não realização ou a não complementação da mesma, sendo declarada vencedora por W.O. a que estiver presente, a menos que de outra forma decidido pela JD."

 

"Regulamento Geral da CBF

Art. 57 – Nenhuma partida poderá ser disputada com menos de 7 (sete) atletas ou com a ausência de um dos Clubes disputantes.

  • 1º – Na hipótese do não atendimento ao previsto no presente artigo, o árbitro aguardará por 30 (trinta) minutos após a hora marcada para o início da partida, findo os quais o Clube regularmente presente será declarado vencedor por W.O., pelo escore de 3 a 0 (três a zero)."

O número de substituições, de atletas no banco de reservas e da comissão técnica também são de acordo com os regulamentos, isto é, além das regras da FIFA, os regulamentos são fundamentais para a competição.

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

Lei em Campo, por Andrei Kampff