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Por confusões em jogo do Internacional, Conmebol pode tirar jogos do Chile

Andrei Kampff

06/02/2020 08h37

"A punição para a Universidad de Chile possivelmente se dará por jogos com portões fechados. E mais do que isso, com eventuais decisões que afetem outras partidas marcadas para Santiago. É possível que a Conmebol mude o local dos confrontos. Essa medida, por sinal, está prevista no rol de sanções aplicáveis", avalia Jean Nicolau, advogado especialista em direito esportivo.

O Chile voltou a dar dor de cabeça para a Conmebol. O problema no país está longe de ser restrito ao futebol ou relacionado diretamente à entidade que administra a modalidade no continente. A revolução é política e social, e tem afetado todos os segmentos.

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A relação do movimento contra o governo de Sebastián Piñera com o mundo da bola ganhou outra proporção quando, no dia 28 de janeiro, um torcedor do Colo-Colo foi atropelado por um caminhão da polícia e morreu nas proximidades do Estádio Monumental. As torcidas organizadas dos clubes chilenos, que já participavam ativamente dos protestos, passaram, então, a pregar boicote ao futebol e paralisação do campeonato nacional.

A "Asociación Hinchas Azules", que reúne torcidas da Universidad de Chile, se mostrou solidária ao movimento e levou adiante as ameaças. No jogo da Pré-Libertadores, nesta terça-feira (4), contra o Internacional de Porto Alegre, ateou fogo na arquibancada e lançou cadeiras e outros objetos em direção ao campo. A partida foi interrompida aos 38 minutos do segundo tempo por falta de segurança e terminou com empate sem gols.

"Não entendo que a situação do Chile ameace a integridade dos atletas adversários. É uma manifestação política, mas não é uma zona de guerra. Eu vejo uma diferença muito grande entre as duas situações", pondera Vinícius Loureiro, advogado especialista em direito esportivo.

No entanto, a motivação do protesto não é um atenuante. "Não acredito e nem me parece uma desculpa razoável. No caso específico da U, nem é preciso evocar as manifestações políticas (conduta proibida pelo Código Disciplinar da Conmebol). Mais grave foi o fogo provocado pelos torcedores", completa Jean Nicolau.

A Conmebol tentou prevenir a confusão, ao antecipar o jogo com o Inter das 19h15 para às 18h (horário de Brasília). Assim, a partida terminaria antes de anoitecer. Não foi suficiente. "Nesse caso do Chile, não vejo como a Conmebol possa ter uma postura preventiva, apenas reativa, punindo caso a caso", pondera Vinícius Loureiro.

Se levar em consideração a questão do precedente no direito, é possível que os jogos de futebol promovidos pela entidade não aconteçam mais no Chile até segunda ordem. Em 2019, a Final da Libertadores precisou ser transferida de Santiago para Lima, no Peru, em razão dos protestos.

A Conmebol, por meio da assessoria de comunicação, não quis se pronunciar sobre o caso, por enquanto. Mas o Blog apurou com fontes que a situação preocupa a entidade, e que a questão está sendo discutida, Na Europa, a guerra no leste da Ucrânia afastou o Shakhtar de Donetsk. Desde 2014, a equipe joga cerca de mil quilômetros distante de casa. "Em vista do que aconteceu, é algo para se pensar. Mas tirar o jogo do Chile é sempre uma decisão bem difícil", finaliza Jean Nicolau.

A autoridades chilenas, por sua vez, estudam sanções para os clubes, mas já anunciaram algumas medidas em razão dos problemas ocorridos tanto no Estádio Nacional como no Estádio San Carlos de Aponquindo, onde conflitos foram registrados no domingo, no jogo entre Universidad Católica e O'Higgins. O confronto entre Audax Italiano e Colo-Colo, marcado para o próximo fim de semana, não acontecerá mais no Estádio Bicentenário de La Florida, por não atender às condições de segurança necessárias.

Por Ivana Negrão

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Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

Lei em Campo, por Andrei Kampff