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Neymar pode pegar gancho de 12 partidas por “explosão” contra árbitro

Andrei Kampff

03/02/2020 13h36

Gonzalo Fuentes/Reuters

Neymar não fez gol na goleada do Paris Saint-Germain por 5 x 0 sobre o Montpellier, pelo Campeonato Francês. Mas o camisa 10 do PSG foi o destaque por ter sido advertido com um cartão amarelo por tentar dar um drible em um adversário e por ter reclamado após o fim do jogo. A irritação do brasileiro pode lhe render uma punição e deixar Neymar de fora de alguns jogos do torneio.

Segundo o Anexo II dos Regulamentos disciplinares e escala disciplinar da Federação Francesa de Futebol, a punição ao camisa 10 do PSG pode ser bem pesada.

O artigo 6 do documento fala em comportamento rude/abusivo. "É rude qualquer afirmação, gesto e/ou atitude contrária à propriedade que visa uma pessoa e/ou sua função. Qualquer palavra, gesto e/ou atitude que afete seriamente uma pessoa e/ou sua função é um insulto."

Por ter abordado um oficial do jogo e fora do campo do jogo, o artigo propõe pena de cinco a 12 jogos de suspensão.

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A defesa de Neymar provavelmente vai tentar que, caso ele seja denunciado, seja enquadrado no artigo 4 do mesmo regulamento, que fala sobre comportamento excessivo, inadequado, palavras, gestos e/ou atitudes além da medida e/ou fora do contexto. Se for punido com base neste artigo, Neymar pode pegar entre dois e três jogos de suspensão.

"Seria normal que ele recebesse punição pelo que fez, que não tem nada a ver com a discussão sobre o gesto em campo. Aliás, até acho que o árbitro foi mais realista que o rei. Mas um erro, como se sabe, não justifica o outro", explicou o advogado especialista em direito esportivo Jean Nicolau.

Imagens do canal Plus France mostraram Neymar se dirigindo ao quarto árbitro e disparar "jogar futebol dá cartão amarelo agora? Eu jogo futebol, não falo p… nenhuma e ainda tomo amarelo!". Quando o juiz respondeu, Neymar se revoltou, xingou em alto e bom português e ainda atirou uma garrafa na parede antes de entrar no vestiário do PSG.

Neymar foi o jogador mais caçado em campo. Sofreu nove faltas dos jogadores do Montpellier, recorde de Neymar no Campeonato Francês.

"Extrapola qualquer razoabilidade a reação do Neymar", analisa Luiz Marcondes, presidente do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo. Após a partida, no caminho para o vestiário, Neymar discutiu com o quarto árbitro do jogo.

"O fato gerador desse ilícito desportivo decorre do árbitro. A regra dispõe que o jogador pode conduzir a bola, exceto com as mãos. Mas não isenta o Neymar de culpabilidade. O Neymar xingou, seja o idioma que for, é um xingamento grave. Ele deveria fazer isso de forma mais educada", pontua Marcondes.

A especialista de arbitragem do Lei em Campo Renata Ruel, discorda do cartão aplicado a Neymar pelo juiz Jérôme Brisard por tentar dar uma lambreta em um adversário.

"O drible não foi ofensivo. O cartão não foi em função da lambreta. O árbitro foi conversar, ele reclamou. Mas o árbitro não tem que ir reclamar com o Neymar sobre a lambreta, o drible é alegria, faz parte do futebol. O que consta na regra, tem um item, que é a conduta antidesportiva. Que é mostrar falta de respeito ao jogo, o que eu acho um absurdo. O que é mostrar falta de respeito ao jogo? Quando você dribla não é falta de respeito ao jogo", finalizou Renata.

Por Thiago Braga

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Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

Lei em Campo, por Andrei Kampff