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Federação chilena pode punir jogadores por não disputarem amistoso? Entenda

Andrei Kampff

13/11/2019 19h40

Imagem: Thiago Bernardes/CA2019

Os jogadores da seleção chilena decidiram não disputar o amistoso contra o Peru, que estava marcado para a próxima terça-feira, em Lima. Os atletas alegaram que não há clima para que o jogo seja disputado. Mas quais seriam as medidas que os peruanos poderiam tomar contra a federação chilena? Segundo o presidente da comissão de direito desportivo da OAB/SP, Paulo Feuz, os jogadores chilenos podem sofrer represália por parte dos dirigentes da federação local.

"A federação pode impor uma punição para os atletas devido ao prejuízo que ela vai sofrer. Mas não é uma punição desportiva assim de nível internacional, é uma punição local dela para os atletas, pode ter algum tipo de punição administrativa aí para os atletas. Acho uma irresponsabilidade desses atletas estarem fazendo isso, confundindo uma manifestação popular com um jogo da seleção chilena. Acho que os atletas não estão sendo profissionais", opinou Feuz. Uma das alternativas seria a não convocação desses atletas para as próximas partidas.

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A decisão irritou os dirigentes peruanos. Juan Carlos Oblitas, diretor da Federação Peruana de Futebol, disparou contra a federação chilena.

"O Chile nos avisou que tinha adiantado a viagem para sexta-feira. Dois dias antes de virem para Lima, agora eles alertam que são os jogadores que não querem vir. Isso nos deixou desguarnecidos. Eles desconsideram a parte esportiva e a parte legal. Logicamente, isso nos causa desconforto. É inconcebível, não entendemos nada", lamentou Oblitas.

"A princípio entendo que, sendo um amistoso, eventual punição pode ser aplicada com base no contrato firmado entre as federações nacionais. Possivelmente há previsão de multa em casos como esse, especialmente por envolver grande número de parceiros comerciais", explica o especialista em direito esportivo Vinícius Loureiro.

O capitão da equipe, Gary Medel, anunciou sua opinião através de sua conta no Instagram.

"Como equipe, decidimos não jogar o amistoso acertado com o Peru, em resposta ao momento social em nosso país. Somos jogadores de futebol, mas antes de tudo pessoas e cidadãos. Sabemos que representamos um país e hoje o Chile tem outras prioridades muito mais importantes que o jogo da próxima terça-feira. Há uma partida mais importante que é o da igualdade, para que todos os chilenos vivam em um país mais justo", argumentou o jogador do Bologna, da Itália.

 

A federação peruana agora contra o relógio para arranjar um adversário para a seleção nacional. O Panamá pode ser o escolhido, uma vez que também teve seu amistoso cancelado.

"Nas próximas horas estaremos informando sobre as medidas que tomaremos para respeitar o plano de trabalho estabelecido no campo esportivo e institucional para esta Data Fifa", informou a federação peruana, em comunicado.

A crise social no Chile, que já entrou em sua quarta semana, deixou 20 mortos, cerca de 2.000 feridos e mais de 200 com lesões ou perda de um olho por balas de borrachas em meio aos confrontos com a polícia.

Por Thiago Braga

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Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

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