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O esporte é agente de transformações. O exemplo da F1 e do campeão Hamilton

Andrei Kampff

14/11/2019 14h00

É sempre importante repetir: o esporte é protagonista em grandes transformações sociais, quer você queira ou não. E eu acredito que não pode existir fronteiras entre ele e causas importantes para a sociedade.

Tanto que o esporte esteve presente em grandes conquistas sociais. Na luta pela abertura democrática no Brasil, vários atletas e alguns clubes se posicionaram de maneira aberta pedindo algo simples e inegociável: liberdade democrática.

No mundo, muitos são os exemplos de atletas que entenderam que sua força vai muito além de uma pista ou quadra ou campo, e que podem ser agentes transformadores na construção de uma sociedade melhor, menos excludente e mais humana. E também mais saudável.

VEJA TAMBÉM: 

A ultra tecnológica Fórmula 1 abraçou uma política de defesa do meio ambiente. E tem como embaixador ninguém menos que o hexacampeão mundial Lewis Hamilton.

Quem traz essa história é Luiz GG Costa, advogado em Londres e colunista do Lei em Campo.

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Quanto o esporte pode contribuir na implementação de políticas ambientalistas compatíveis com a nossa realidade global (de ter de buscar o que é sustentável)? E mais, quais esportes podem realmente oferecer um exemplo considerável para tal prática?

 Um gramado artificial é mais sustentável do que um gramado tradicional? Será que todo o consumo (de água, de energia, de combustível etc) para a manutenção de um gramado tradicional seria, por si só, justificativa para a troca por um gramado artificial? Ou será que o interesse de um clube por trocar seu gramado seja apenas para maximizar as chances de sucesso da agremiação nos mais variados torneios dos quais participa? Ou será ainda por mero interesse comercial?

 Quando um esporte e sua estrela principal digulgam projetos que podem (quase que imediatamente) impactar a sustentabilidade ambiental global, eles merecem respeito. E qual o esporte mais tecnológico (com a devida venia ao e-sport) do que a Fórmula 1 (ou F1 para os mais fanáticos)?

 A F1 lançou um projeto para neutralizar sua emissão de carbono até 2030. O "circo" da F1 abrange as atividades dos autódromos, incluindo transporte logístico (das equipes e dos equipamentos) por terra e ar. Para se ter uma idéia, a temporada de 2020 contará com 20 pilotos de 10 equipes competindo em 22 corridas. Algumas equipes empregam mais de mil pessoas para a construção e desenvolvimento dos carros. Assim, a F1 projeta uma mudança para logística ultra-eficiente com fábricas, escritórios e instalações com consumo de 100% de energia renovável.

 Já em 2021, novas regras serão introduzidas exigindo que o combustível das equipes contenha pelo menos 10% de biodiesel. Como sempre, a F1 é inovadora e suas tecnologias são, depois de algum tempo, reaproveitadas pela indústria automobilística e implementadas nos veículos que temos nas ruas das nossas cidades. Atualmente, os motores dos carros da F1 são os mais eficientes do mundo. A eficiência térmica (uma medida da energia de saída dividida pela energia de entrada em um sistema) dos carros de da F1 é de 50% enquanto o de carros normais é cerca de 30%.

 Projetam também que todas as corridas e eventos sejam sustentáveis até 2025. Isso se dará pela eliminação de plásticos de uso único e se certificando de que todo o lixo produzido nas corridas seja reciclado e reutilizado. Assim, a participação dos fãs também será importante. Na verdade, a participação de todos os envolvidos será de suma importância.

 Com sua estrela maior, o hexacampeão Lewis Hamilton, comprando o projeto tudo pode ficar mais fácil. Hamilton já é porta-voz das virtudes de uma dieta à base de plantas: tendo não só expressado a importância dessa dieta para o sucesso das suas performances, mas também na produção de documentários sobre o tema. Hamilton promete se certificar de que sua vida e atividades de negócio sejam orientadas por práticas sutentáveis. Vale lembrar que no ano passado ele vendeu seu jato particular com o intuito de reduzir seus voos. Um ótimo exemplo!

Sobre o autor

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós-graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Iberoamericano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro “#Prass38”.

Sobre o blog

Não existe esporte sem regras. Entendê-las é fundamental para quem vive da prática esportiva, como também para quem comenta ou se encanta com ela. De uma maneira leve, sem perder o conteúdo indispensável, Andrei Kampff irá trazer neste espaço a palavra de especialistas sobre temas relevantes em que direito e esporte tabelam juntos.

Lei em Campo, por Andrei Kampff